quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Egoísmo

 Egoísmo

 

Num olha assim pra esse pudim,

Que é meu.

Só meu.

O teu tem tempo que acabou

Findou.

Esse teu olho num comove

Esse meu duro coração

Esse pudim que agora vês

Que é meu

Só meu.

Em breve será só lembrança

Visual

Pra ti.

Gustativa

Pra mim.

Só mim.

 

Welington José Ferreira

Até que se aquietem os vales


Até que se aquietem os vales 

 

E foram histórias tristes,
Dentre fábulas fantásticas
E desceram montes apáticos
Vestidos de couraças gélidas
E criam naquelas bandeiras
Na verdade, estandartes levantados
Por jovens de mãos fortes
Acostumados com o gemido das batalhas
E foram torrões acesos
Brilhando com suas espadas
Por entre as vielas Curdas
Por entre os pastos queimados
Sangrando homens treinados
Gritavam cavalos baios
Brindavam espadas raras
Cresciam pavores plenos
Marechais e comandantes
Seus soldados agora errantes
Entre as pilhas dos caídos
Entre os gritos dos vencidos
Avante! Cavalos baios
Por esses morros infames
Lutar na guerra sem nome
Até não poder correr mais livremente
Até que só sobre a fome.
Caiam desfraldadas bandeiras
Caiam pendões entre mãos trêmulas
Até que se aquietem os vales
Até que se aquietem os vales


Welington José Ferreira 

Acorda!

Acorda!

 Acorda menina bonita
Já chegou a hora
De trabalhar
Desperta do sono
Manhosa menina
É tempo
De acordar
Desperta menina sonhando
Amanheceu
Mais uma vez
Desperta e sai das cobertas
Não segura a cama
Já despertou
Acorda que  o pão
Tá esfriando
E se não acordar
Vai se atrasar
Faz força!
Que os olhos se abrem
E então o outro passo
É levantar!
Desperta
Sua dorminhoca
Que o sol chama
pra despertar...


Welington José Ferreira

Um amigo

Como as águias que habitam as refinarias

Que são suas verdadeiras donas, sob cujo olhar atento trabalham

Seus súditos, inumeráveis criaturas humanas

São como a chuva que cai entre as nuvens

Como os raios que relampejam

Nas profundas águas do mar

Como peixes voadores

Sobre cujas asas elefantes dormitam

Em paz

São como mares em chamas

Por onde golfinhos de gelo

Mergulham sem derreter

São como as luzes que fazem

mesmo abismos tremerem

Ou o tempo inteiro voltar

Ao instante anterior

São como as vozes das folhas

De Tamargueiras milenares

Ou como a força espantosa

De gotas que são tão grandes

Quando dois arranha-céus

 

De tudo isso se entende

Que tal como imaginado

Noutra hora qualquer

 

Amigos são como um manto

Desses que envolvem os sonhos

Que nos lembramos as vezes

 

no instante de acordar


Welington José Ferreira

Havia um coração

HAVIA UM CORAÇÃO 
QUE CAMINHAVA EM FORMA DE GENTE
CUJAS CANTIGAS TODAS
RESSOAVAM COMO TROVÃO

Welington

Havia um homem

Havia um homem
Que caminhava em forma de sopro
Cujo coração inquieto
Conheceu todas as dores


Welington

havia um sopro

Havia um sopro
Que caminhava em forma humana
Em cujo coração inquieto
Cabia todo o universo


Welington